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domingo, 27 de janeiro de 2008

Outra estranha forma de vida

Foto: Christian Coigny

Como é estranha a minha liberdade
As coisas deixam-me passar
Abrem alas de vazio para que eu passe
Como é estranho viver sem alimento
Sem que nada em nós precise ou gaste
Como é estranho não saber.

Sophia de Mello Breyner Andresen, Poema De Um Livro Destruído

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Reflorir, sempre

Foto: J. Borodina

Não é já de Natal esta poesia.
E, se a teus pés deponho algo que encerra
e não algo que cria,
é porque em ti confio: como a terra,
por sobre ti os anos passarão,
a mesma serás sempre, e o coração,
como esse interior da terra nunca visto,
a primavera eterna de que existo,
o reflorir de sempre, o dia a dia,
o novo tempo e os outros que hão-de vir.

Jorge de Sena, Poesia-I
(Parabéns C.)